A cultura do fumo em Arapiraca

FUMO COMO ALIMENTO DA MEMÓRIA

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Os grandes plantios de tabaco já cobriram por mais de cinco décadas as fronteiras da cidade. Até recentemente o fumo foi o principal produto que trouxe riquezas. Com o enriquecimento pelo plantio e comércio do fumo, surgiu uma pequena classe média local, mas não atingiu os estratos mais baixos, que continuam até hoje empobrecidos. Os mais pobres são os destaladores (tiram o talo da folha do fumo) que recebem por quilo de fumo arrumado folha-sobre-folha – o que impediu a maioria dos arapiraquenses ascenderem socialmente pelo envolvimento na produção fumageira.Na realidade a cultura fumageira não é diretamente uma cultura tabagista. Nunca houve uma campanha para as pessoas fumarem, ou algum costume que informasse ser bom ou correto fumar. Por cultura fumageira pensamos todo um enredo e drama local. A feira, o folclore, os salões-de-fumo, a destalação, as plantações, o movimento do comércio. São os que plantam, os que destalam, os que montam o fumo-de-rolo, os que comercializam. Deste ambiente nasceu todo uma cultura propriamente fumageira, com cantigas, causos, danças e rituais. Arapiraca ainda conserva um clube muito tradicional chamdo “fulmicultores”. Foi o primeiro clube da cidade, com bailes, festas e shows que estarão para sempre na memória dos arapiraquenses.
Vários fatores contribuíram para a decadência da cultura fumageira: àquela que vai do plantio, passa pela colheita, secagem, destalação, rolo, corte, beneficiamento e comercialização. Por se tratar de um produto de consumo global, sua estabilidade depende de um movimento que está para além das fronteiras arapiraquenses.
Nos últimos anos desenhou-se claramente o fim de um tempo na na história local. O fumo deixara de ser central na identidade agrícola da cidade: esta vem apoiando a diversificação das colheitas, como o feijão, a macaxeira, as hortaliças e as frutas. O plantio de fumo resiste. Certamente a área plantada diminuiu mas é possível ver, uma vez por ano, varais de fumo secando nos arredores da cidade.

O USO EXAGERADO DOS AGROTÓXICOS NA CULTURA DO FUMO

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Em pronunciamento na sessão ordinária da Câmara Municipal de Arapiraca, o vereador Julio Houly (PRB) exigiu das secretarias municipais de Saúde e Agricultura maior controle e fiscalização no uso de agrotóxicos na cultura fumageira. Alertou o parlamentar, que todos os anos, o municipio de Arapiraca e demais cidades da região produtora de fumo, enfrentam crise de intoxicação causada pelo manuseio da folha de fumo.
Em um período de um mês, cerca de 120 casos foram registrados nos hospitais da região provocados por intoxicação. O mal-estar é provocado, segundo Houly, que é engenheiro agrônomo, pela nicotina e principalmente, resíduos de agrotóxicos.
Houly falou da necessidade de um maior controle e acompanhamento das secretarias municipais de Saúde e Agricultura e a exigência do Equipamento de Proteção Individual – (EPI) para os agricultores na aplicação do agrotóxico.
Segundo Houly, os resíduos tóxicos permanecem na planta por um período de até 30 dias. No ano passado no período da plantação e colheita do fumo a coordenadoria de Vigilância à Saúde notificou 200 casos de intoxicação de agricultores.
A grande maioria não utilizava o equipamento de proteção individual no trabalho no campo colheita e destalação das folhas de fumo. A maioria dos casos de intoxicação com alguns casos fatais foi registrada nos municípios de Arapiraca, Craíbas, Feira Grande, Girau do Ponciano e Lagoa da Canoa.

Segundo Julio Houly, o uso indiscriminado do agrotóxico Tamarom causou sérios danos à saúde dos agricultores e ao meio ambiente além de ceifar muitas vidas. O prejuízo causado pelo agrotóxico motivou uma campanha e a interferência do Ministério Público que retirou o produto de mercado.

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